quinta-feira, 8 de novembro de 2007

EU









Eu quero – aprender a ser feliz
Eu tenho – algumas certezas e muitas
dúvidas
Eu acho – que todas as pessoas deveriam ter o que merecem
Eu cheiro–a Vida
Eu imploro – saúde
Eu procuro – a Harmonia
Eu arrependo-me – muitas vezes pelo que não fiz
Eu amo – a minha família
Eu sinto dor – perante a maldade de uns e o sofrimento de outros
Eu sinto falta – de um Mundo melhor
Eu importo-me – com as pessoas de quem gosto
Eu sempre – tento ser realista
Eu odeio – a injustiça, a hipocrisia e a deslealdade
Eu sinto – angústia quando não me compreendem
Eu escuto – sempre a minha filha mesmo quando não fala
Eu não fico – parto para outra
Eu acredito – em quem prova que me ama, e não em quem o diz
Eu danço – ao som de palavras amigas
Eu canto – sozinha
Eu choro – sempre que preciso
Eu falho – sempre que não consigo alcançar os meus objectivos
Eu luto – por tudo aquilo em que acredito
Eu escrevo – porque me faz bem à alma
Eu ganho – sempre que um amigo me dá um abraço
Eu perco – a alegria quando me magoam
Eu nunca – vou trair aqueles que confiam em mim
Eu confundo-me – quando não entendo os outros
Eu estou - por vezes numa encruzilhada
Eu sou – aquilo que mostro
Eu fico feliz – com pouco
Eu tenho esperança – que melhores dias virão
Eu preciso – de viver em Paz comigo e com os outros
Eu deveria – convencer-me que é impossível evitar injustiças

MARA CARVALHO

terça-feira, 23 de outubro de 2007

FLORES DE ESTUFA














À nossa volta há sempre quem faça coisas erradas.

Por vezes juntamo-nos com os amigos e dizemos mal disto e daquilo, de quem fez isto e de quem fez aquilo.

Há sempre alguém que não foi suficientemente honesto, suficientemente corajoso, suficientemente leal. Alguém que pisou outros para subir na vida, ou abdicou dos seus princípios para obter uma vantagem, ou mentiu para se livrar de um problema. Alguém que realizou mal o seu trabalho.
Alguns desses actos são prejudiciais a outras pessoas, mas o autor dos erros é sempre vítima do seu comportamento. Quase sempre é ele quem mais sofre: de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde.
Quando deixamos de ser crianças, torna-se bem difícil viver! Caem sobre nós tormentas vindas de fora e de dentro. Quantas vezes sucede que os nossos actos se viram contra nós e se agigantam e nos perseguem pela vida fora! Quantas vezes sentimos saudade do colo da mãe, do braço forte do pai, da humildade perdida que nos permitia aceitar que nos guiassem em cada situação...
Viver é difícil. É preciso resistir. E é preciso, também, ter luz e força: saber o que fazer e ser capaz de o fazer. E nós, que às vezes nos juntamos e falamos das fraquezas dos outros, temos estado também em situações que nos pediam algo de valentia, dignidade, coerência com o que pensamos. E nem sempre fomos capaz de fazer o que devíamos ter feito.
Existe uma distância entre considerarmos correcta uma determinada atitude e actuarmos com correcção. E essa distância só a custo pode ser percorrida.
A vida moderna ofereceu-nos muitas facilidades: simplificou certas tarefas. No entanto, no que diz respeito aos nossos comportamentos, carácter, virtudes - à nossa qualidade enquanto pessoas - tudo continua a passar-se como com os nossos antepassados. Continua a ser difícil ser-se honesto, trabalhador, bom marido, boa mãe; o amor e a amizade continuam a ser tarefas exigentíssimas.
Sucede, porém, que é nestes aspectos que se joga a felicidade dos homens. De pouco me serve, para ser feliz, o facto de poder ir tomar café a Londres e voltar para o almoço, ou ter a possibilidade de assistir a um importante jogo de futebol comodamente instalado na sala de estar da minha casa, se o meu egoísmo me afastar diariamente dos outros. Ou se a consciência me acusar de ter conquistado dinheiro e bem-estar à custa de prejudicar outras pessoas.
A felicidade continua a exigir de nós comportamentos que não são compatíveis com a facilidade. Não nos tornamos felizes carregando num botão. É preciso subir montanhas, insistir em esforços prolongados; acreditar, até ao heroísmo, na lentidão. Por vezes, reunimos todas as forças e não sabemos se aguentamos até ao fim do dia.
Quando tentamos aplicar receitas fáceis àquilo em que se joga a nossa felicidade, não resolvemos nada. Essas "soluções" simples para dificuldades grandes acabam por ser formas de fugir e não de enfrentar: semeiam frequentemente tragédias em nós e à nossa volta, ainda que só se notem mais tarde, e transferem o nosso problema pessoal para o terreno pantanoso das torturas interiores, dos remorsos, da depressão, do vazio, do desespero.
Aqueles que foram - que fomos - fracos e estão a pagar por isso precisam de apoio, mas, olhando para diante, o que é preciso é formar homens fortes. Os nossos filhos devem ser mais fortes do que nós, mais capazes de serem felizes.
Alguns pais e educadores costumam, infelizmente, empenhar-se em tirar as dificuldades da frente das crianças e dos jovens, em vez de os ajudarem a tornarem-se fortes para as enfrentar. Dessa forma preparam seres frágeis, que têm, durante certo tempo, uma existência ociosa e doce, mas estão destinados a sucumbir à mais leve aragem da vida. Dessa forma se tornam responsáveis por uma espécie de flores de estufa, condenadas por atrofiamento à incapacidade de viver a vida como ela é.
Não é verdade que possamos eliminar da vida as grandes contrariedades, as decisões custosas, a doença, o esforço quase insuportável, a dor física e moral, a morte. Seremos felizes com eles ou não seremos felizes nunca. A vida é de tal maneira que o homem deve erguer-se nela como o castelo. Deve ser construído, pedra a pedra, de forma a permanecer no seu lugar quando sopram ventos inesperadamente fortes; de forma a cumprir aquilo que dele se espera, aquilo a que se comprometeu, aquilo que o torna feliz.

PAULO GERALDO

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

VALORES

















O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.


Fernando Pessoa

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM













Boas pessoas

Somos todos pessoas maravilhosas.
Somos capazes de trabalhar, de sorrir, de prestar ajuda a quem precisa de nós. Temos frequentemente gestos gentis, atitudes encantadoras, palavras cheias de amabilidade e compreensão.
E é verdade que até somos, muitas vezes, heróis. Nem sempre por realizarmos actos desses que saem nos jornais, mas, a maior parte das vezes, porque sabemos suportar em silêncio a dor, a doença, a injustiça, o cansaço, a monotonia... Porque sabemos estar no nosso lugar quando nos apetecia fugir. Porque temos a coragem de levar até ao fim aquela tarefa que era boa e nobre, mas que deixou de nos entusiasmar.
Sofremos quando vemos uma criança a chorar, quando nos mostram imagens de refugiados, quando sabemos de um acidente que causou vítimas.
Gostamos de ver alegria à nossa volta.
E temos dons muito nossos, que procuramos desenvolver e tornar úteis para os outros: sabemos cantar, ou tocar um instrumento musical, ou fazer versos, ou desenhar...
Mas, depois, há qualquer coisa que não bate certo. Somos desconcertantes: fazemos também coisas que estragam tudo, manchamos as mãos, espalhamos amargura em redor.
Há tantas coisas de que já nos arrependemos!
É certo que nem sempre gostamos de olhar para dentro de nós, para o nosso passado, para as nossas intenções.
Não me parece que sejamos boas pessoas, apesar daquilo que temos de bom. Apesar dos dons, apesar do heroísmo, apesar das virtudes.
É que não chega fazer o bem. Não é suficientemente bom fazer algumas vezes o bem.
O bem que um homem faz, para ser um verdadeiro bem, precisa de ser completado pelo mal que esse homem não faz.
Basta uma nódoa, ou um rasgão, num belo tecido para o inutilizar. Ainda que a parte não afectada continue a mostrar a sua beleza, o tecido já não serve: perdeu a sua integridade. A beleza que sobra já não é a mesma beleza de antes. Não se trata apenas de um defeito: notamos bem que é qualquer coisa de mais profundo que afecta o nosso ser inteiro.
É claro que o perdão apaga a nódoa, mas o perdão nem sempre é fácil; ou pode suceder que não saibamos a quem pedir perdão.
A questão é esta: é relativamente fácil ter, aqui e além, um gesto bom. Basta talvez um momento de inspiração, um sentimento favorável, a ajuda de um agradável dia de sol. Pelo contrário, fazer sempre o bem (evitar sempre o que é mau) exige de nós duas coisas que nos custam muito: a constância e a luta esforçada contra certas más inclinações que arrastamos dentro de nós.
A constância significa dar importância a todas as acções, a todos os minutos, a todas as coisas. E não só a alguns. A luta significa vencermo-nos a nós mesmos e... é tão difícil!
Não, ainda não somos boas pessoas.

PAULO GERALDO (http://cidadela.com.sapo.pt/)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

SE


















Se não puderes ser um pinheiro no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale,
mas sê
O melhor arbusto à margem do regato
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

PABLO NERUDA

terça-feira, 9 de outubro de 2007

PENSAMENTOS

















Certas palavras podem dizer muitas coisas;
Certos olhares podem valer mais do que mil palavras;
Certos momentos nos fazem esquecer que existe um mundo lá fora;
Certos gestos,parecem sinais guiando-nos pelo caminho;
Certos toques parecem estremecer todo o nosso coração;
Certos detalhes nos dão a certeza de que existem pessoas especiais.
Assim como vocês que me deixarão belas lembranças para todo o sempre.

VINICIUS DE MORAIS



quinta-feira, 20 de setembro de 2007

NADA É CERTO

Ninguém avança pela vida em linha recta.
Por vezes, saímos dos trilhos.

Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó.
As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar.
No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver.
Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo.
Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutávelmente para trás, atolados no caminho.
Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável.
É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

HENRY MILLER